Fui revelado!

Quando falamos em fotografia, sempre estamos entrando numa área banhada, recheada e coberta por vários sentimentos misturados. Alguns nobres, outros nem tanto. Cada registro é composto por muitas formas, cores e motivações.

Amantes da fotografia são fascinados por aquele “poder” incrível de congelar o tempo. Isso é inerente à essa forma de comunicação. Sabemos que a vida passa rapidamente e fotografar nos dá uma possibilidade (mesmo que restrita) de guardar fragmentos de passado. Melancólicos como eu, acham isso o máximo!

Outro aspecto fascinante é a comunicação não-verbal, visual e imediata. Uma boa fotografia fala por si. Você “bate o olho” e a mensagem é transmitida. Eu, pessoalmente, creio que a foto que precisa de muita explicação, legenda, texto embaixo, do lado, em cima, autor blá, blá… não funcionou. Deleta e faz outra! rsrs.

Além disso todo mundo sabe (com maior ou menor grau de consciência) que falamos de NÓS ao mostrar fotos que fizemos. Naquele momento em que algo te chama a atenção e você se concentra em pegar sua câmera, fazer algum ajuste, apontar e CLICK… algo importante PRA VOCÊ foi registrado. Aquela imagem tem você nela! Tem algo nela que te “sequestrou” por um instante. Isso pode ser muito revelador!

Nos nossos dias podemos mostrar rapidamente e pra muita gente as nossas capturas! Em tempos de Instagram, Facebook, Picasa, Flickr, 500px… Gostamos de dizer quem somos, o que sentimos, como vemos o mundo, do que gostamos… e tá “facinho”, “facinho”! Pelo menos muitos de nós gostam, vide o sucesso das redes sociais. Somos exibidos!

Essa nossa paixão chamada fotografia, nos permite muita coisa. Eu destaco como a principal, o poder impactante, rápido, preciso e belo de comunicar. E não restrinjo essa comunicação à uma categoria limitada que “tem” que ser traduzida em palavras. Impressões e sentimentos podem e devem ser abstraídos da imagem, e inevitavelmente o são. Algumas fotografias são muito difíceis de serem explicadas, mas elas nos falam, nos tocam, nos remetem à um tempo, clima, local determinado.

Um dos filmes que mais gosto é Ratatouille, dos estúdios Pixar. Além de ter uma fotografia e iluminação sensacionais, a história é ótima e nos ensina muito sobre arte. Existe uma cena delicadíssima, sem palavras, onde o personagem Anton Ego prova a “comida de camponês” que ele se dispõe a avaliar com toda a sua experiência e dureza. Ele segura a sua cruel caneta de crítico gastronômico, pronta para “atirar”, e ao experimentar o prato, é arremessado para o seu próprio passado sentimental. Aquele simples, mas caprichado prato, teve a capacidade de desarmá-lo. No momento em que prova do prato a sua caneta escorrega por entre seus dedos e ele é levado para onde nem o chef imaginava: sua infância simples. Mas o objetivo da obra foi alcançado, o coração e a mente do “receptor” foram tomados! Que poder!!! Que responsabilidade!!!

Em nosso coração pecador e enganoso (pergunta pro Jeremias! Jr 17:9) estão todos esses “seres”: poder, exibicionismo, popularidade, vaidade, soberba… Alimentados e bem nutridos por muitos CURTIR! Querem ser adorados, bajulados e COMPARTILHADOS.

Por outro lado, quando submetido e sujeitado ao Senhor, esse poder de comunicação é uma arma poderosa. Quando ouvimos uma música bem composta, quando apreciamos um poema ou livro, quando ouvimos um grande pregador, inspirado, preparado, verdadeiramente sujeito às ESCRITURAS… somos tocados, incomodados, moldados. Somos levados para onde o Senhor quer nos levar.

Talvez o personagem bíblico que melhor nos ensine sobre a verdadeira postura do adorador e servo seja João Batista. Você deveria parar de ler esse post e pegar sua bíblia agora. Veja o que está escrito em João 3:27-30.

Ele não buscava a sua popularidade. Ele sabia quem era e para que veio ao mundo. João se “enxergava”! Ele poderia ter usurpado da sua situação e conseguido muitos SEGUIDORES no seu twitter!!! Mas ele quis cumprir somente a vontade do Pai e apontar para o Cristo! Gastou sua vida nisso.

Creio sinceramente que a fotografia, feita por um cristão, pode e dever ser um instrumento de propagação do evangelho de Cristo. Mas creio também que ela pode, e eventualmente revelará o nosso coração rebelde e vaidoso.

Que o Senhor nos ajude a sujeitar o que temos e também o que somos à Ele mesmo. Que nossas fotos revelem Seu poder, Seu amor, Sua misericórdia e glória e não a nós!

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