Dicas básicas para o Fotógrafo da Família!

Independentemente da câmera, desde um celular até uma DSLR top de linha, essas técnicas ajudarão a melhorar suas fotos. Na verdade, existem dois tipos de técnicas basicamente:

Técnicas operacionais, que são aquelas que tratam do uso e aproveitamento dos recursos dos equipamentos utilizados. Por exemplo, “padrões de iluminação com flashes dedicados”, ou ainda, “correção de perspectiva para fotografias de arquitetura”, e assim vai. Essas são muito importantes mas não são nosso assunto agora.

E existem técnicas comportamentais, que são maneiras, procedimentos e condutas que todas as pessoas envolvidas no processo fotográfico devem ter, especialmente o fotógrafo. Essas quase não dependem do seu equipamento, dependem de você!

Nesse artigo de hoje quero deixar apenas o mais fundamental para nossa reflexão. E justamente por ser tão fundamental é que muitos de nós deixamos esses cuidados passarem desapercebidos.

Precisamos mudar o nosso “tirar fotos” por um “fazer fotos”! Fotografar bem é resultado de fazer boas escolhas tomar boas decisões num espaço pequeno de tempo. Então, vejamos 10 dicas importates:

1) A LUZ

A coisa mais fundamental na criação do registro fotográfico, é a luz. Fotografar é escrever com a luz. Sendo assim, olhe, enxergue e procure entender a luz que incide sobre a cena. Fotógrafos experientes são atentos à luz antes mesmo de verem a cena montada. Se você tem uma janela em sua casa com uma cortina translúcida, você tem um equipamento utilíssimo para usar. Acortina cria uma luz suave e difusa, muito elegante. Se quiser fazer uma foto do seu bebê, deixe-o engatinhando perto dela. Se a fonte de luz estiver posicionada lateralmente em relação ao modelo, melhor ainda. Evite sempre a contra-luz, que é aquela situação em que o modelo a ser fotografado fica de costas para a fonte de luz. Câmeras bem simples, ligadas em modo automático, vão deixar o primeiro plano muito escuro nessa situação. Em breve veremos muitas maneiras de lidar com isso, mas por enquanto evite!

Procure a luz bonita e suave! Em ambientes externos, os melhores momentos do dia são ao amanhecer e ao entardecer. A luz desses períodos é mais delicada, intensifica melhor as cores (saturação) e gera sombras mais difusas e menos marcantes.

Se você é um apaixonado por fotografia e nunca pensou nisso, comece a desenvolver um relacionamento com a luz! Perceba suas qualidades em cada ambiente, a maneira como ela se espalha e se modifica em cada local, horário do dia e estação do ano! Estudar a luz é a base da fotografia!

2) Não use o flash da sua câmera!

É isso mesmo! Aquele “flashinho” instalado no corpo da sua câmera é uma arma! Se voce quiser aumentar para 90% as chances de estragar a foto dos seus amados, ligue essa coisa.

Toda câmera tem uma opção para desligá-lo. Use-a. O motivo para desligá-lo é que uma fonte de luz tão pequena e tão frontal gera uma área muito desigual e de baixíssima qualidade luminosa. Também aumentará em muito as chances de voce conseguir “belíssimos” olhos vermelhos! Além disso, câmeras muito simples, tem sistemas muito precários de medição de luz. Elas não conseguirão administrar bem essa “luzinha” e a luz disponível no ambiente.

Lembre-se, estou tratando aqui de situações onde não temos recursos técnicos na câmera suficientes para vencer o problema da baixa luminosidade, ou seja situações em que estamos usando uma câmera fotográfica bem simples. Se o ambiente não tiver luz suficiente, procure uma oportunidade em outro ambiente. Se não for possível, não insista, não se pode vencer todas.

3) Segure firme, pare de respirar e CLICK!

Isso é o básico. Segure sua câmera com as duas mãos, com firmeza, pare de respirar (só um pouquinho), concentre-se e aperte o botão com suavidade. A grande maioria das câmeras ajusta o foco (automático) quando pressionamos o botão até a metade do seu curso. Então não pressione de uma vez, senão corre-se o risco de não dar o necessário tempo ao equipamento para completar o foco.

Esses cuidados evitarão boa parte dos “tremores” e “embaçamentos” , especialmente se não houver muita luz no ambiente. Quanto mais claro o ambiente for, menos “tremida” a foto tende a ficar.

Outro detalhe importante: seres com olhos (pessoas e animais, rsrs), devem ter foco bem nítido neste ponto. Se os olhos não estão nítidos, a emoção não será captada e a fisionomia perde força.

4) Limpe o fundo!

Esse item vai valorizar muito suas fotografias. Pensar no fundo da cena, é tão importante, quanto pensar no plano da frente. Em muitas situações podemos estar inserindo distrações na composição presentes no fundo. Quanto mais limpo e simples estiver o fundo, mais a atenção do observador da foto ficará presa no assunto principal. Procure algumas fotos em boas revistas e observe como fundos mais limpos deixam as fotos mais fortes.

5) Insira um pouco do ambiente

Quando queremos contar uma história com uma fotografia, precisamos pensar se o observador vai entender o que nós, ao fotografarmos, estamos querendo mostrar. Pra isso é importante saber avaliar quanto do ambiente, objetos e pessoas devem compor a foto.

Se a sua intenção é colocar o observador na cena, pense em quais elementos ele vai precisar pra isso. Mas essa contextualização é delicada porque, colocar informação demais por ser uma fonte de distração ou deixar a fotografia sem uma assunto principal.

6) Procure cor!

Fotos domésticas, que retratem crianças, casa, animais… ficam mais expressivas quando a combinação de cores é harmoniosa. Uma casa bem pensada em termos de cores tem em si uma “personalidade”.

Crianças com roupas coloridas, seus brinquedos, flores, móveis… são temas muito agradáveis e que podem ajudar você a fortalecer suas imagens de a associação das cores for interessante. Por isso, procure as fontes de cores na sua casa. Isso trará mais vida às fotos.

7) Fotografe Tigres!

Às vezes, fotografar crianças pode ter alguma similaridade com fotografar tigres, acredite. Nenhum fotógrafo em busca de tigres quer ser visto, nem fica chamando: tigrinho olha aqui! Sorria, só uma vez!

Brincadeiras à parte, você pode conseguir excelentes fotos de crianças se elas não notarem sua presença. Se as crianças são pequenas, ficam sentadas brincando ou engatinhando, não chame muito a atenção delas, deixe-as brincar em algum lugar previamente arrumado pra isso e registre a naturalidade das brincadeiras, caras e bocas.

Uma técnica pouco eficiente é ficar chamando a criança. Em estúdio, existem maneiras apropriadas de fazer isso, mas em casa, com o fotógrafo papai ou mamãe, geralmente não funciona muito bem.

Deixe as crianças brincando, siga de longe à caça DO MOMENTO! Registrar a naturalidade vai render fotos melhores. Além disso, expressões e sorrisos espontâneos são os mais bonitos!

8) Pense no ponto de vista

Ao fotografar crianças engatinhando por exemplo, deite no chão, ou pelo menos abaixe-se. Isso aproximará o observador da cena. Em outras vezes, ponha a câmera no chão e fotografe quase que totalmente de baixo pra cima. Também experimente “visão de águia”, seja criativo.

É muito comum vermos séries e mais séries de fotos familiares, da mesma criança, todas feitas com o mesmo ponto de vista. Varie sua posição. Não tenha preguiça de se movimentar em busca de um posicionamento mais impactante.

9) Não mutile ninguém!

Cortar partes das pessoas pra “caber” no quadro NÃO é errado. Mas temos que saber onde cortar e porque cortar. Logo teremos um post bem detalhado só sobre esse assunto, mas por enquanto fique com umas regrinhas “gerais”.

Corte um pouco de cabelo, até um pouco de testa, mas NUNCA corte o queijo. Isso descaracteriza a fisionomia.

Não corte nos joelhos nem na linha da cintura, NUNCA. Corte abaixo ou acima da cintura.

Não deixe uma “ponta de mão”, ou apenas um pé, ou ponta do pé, ou ainda uma lateral da cabeça… fora da cena.

Pense em termos de : foto de cabeça, cabeça e busto, meio corpo (acima ou abaixo da cintura) ou corpo inteiro. Isso vai, em geral, soar mais harmonioso e equilibrado. Sempre existem exceções pra tudo isso mas vamos garantir o básico primeiro!

10) VIVA o que quer fotografar

A fotografia é o registro de um momento. Se o momento passou, e você não o registrou, esqueça. Não se deixe frustrar, pelo contrário, gaste tempo no relacionamento com seus amados e outras novas situações surgirão com naturalidade.

Não deixe de aproveitar a festa de aniversário, o churrasco com a família, o encontro de amigos porque está preocupado em registrar tudo compulsivamente. Mais importante do que as fotos é estar de corpo e alma com os seus. Sem isso elas não contarão adequadamente a história da sua família.

Se, para conseguir A FOTO você não participa das reuniões familiares como deveria, está na hora de repensar a sua relação com a fotografia. Você não tem que ser um fotojornalista dentro da sua casa. É fácil tornar-se um viciado na fotografia e isso afetará seus relacionamentos, acredite! Ponha cada coisa no seu devido lugar.

Socorro! Tem um fotógrafo na minha casa!

 

 

Existe um ser, cada vez mais comum nos lares de hoje em dia, de hábitos estranhos e por vezes inconvenientes, chamado Fotógrafo da Família, vulgo papai!

Ele começa a se manifestar, muito comumente, quando nasce o primeiro herdeiro da casa. Seu comportamento é típico: Tem sempre por perto um celular, uma câmera fotográfica, ou até mais de uma espalhadas estrategicamente em gavetas pela casa, de maneira que possam ser acessadas com rapidez jornalística!

Ele é um apaixonado por fotografia, mas não tem um tema ou linha de trabalho muito bem definida. Se está sozinho fotografa um flor murcha, uma trilha de formigas na cozinha, o sol, a macarronada que vai comer… Se o cão da casa passar perto, coitado… vai ter que participar de um ensaio, com certeza. Sorria Rex! E nada!

Se estiver perto do filho (sua vitima mais freqüente) fica repetindo frases do tipo: Paulinho, olha aqui, Paulinho, Paulinho, Pauliiiinhoooo! Dá um sorriso pro papai! Só um!

Mas o Paulinho tem outras preocupações no auge dos seus 9 meses de vida, por isso aquele chocalho com saliva e um restinho de banana amassada está mais interessante do que o ser falante em frente.

Mas ele não desiste afinal é o responsável pela cobertura jornalística nesse território! É um enviado especial e não pode perder nenhuma cena. Se o Paulinho bate a cabeça, ele registra o choro, se o Paulinho dá uma gargalhada, ele registra, se passa molho de tomate no rosto, click! Se o Paulinho for enfiar o dedo na tomada…

A mãe do Paulinho também já foi fotografada eliminando material indesejado que o Paulinho produziu, entre outras cenas pouco nobres.

Na maioria dos registros as pessoas são identificadas com um pouco de dificuldade pois o foco ficou no ponto errado, ou tinha uma contraluz que deixou o Paulinho escuro, ou a cena estava tão escura que deixou o Paulinho parecendo a sombra do Paulinho, ou a emoção com cena foi tanta que um abalo sísmico foi inserido na foto… Sem contar tendência de mutilar mãos, cotovelos, pernas, dedinhos e até queixo.

Muita gente pode achar que as fotos não ficaram boas, mas ele, o fotógrafo da família, não pensa assim. Com muito mais amor do que técnica, ele segue sua destemida carreira.

Se voce tem carteirinha de “Fotógrafo de Família” ou conhece alguém que tenha, não perca nosso próximo post. Amanhã veremos uma lista bem prática de dicas que podem ser usadas com qualquer equipamento fotográfico e ajudar esse animado e amoroso “profissional”. Porque ele gosta de fotografia, ama sua família, mas tá precisando de ajuda!