Disciplina! Uma meta à ser alcançada, sempre!

Um dos meus pastores sempre ensina em nossa igreja sobre o que ele chama de “disciplinas da fé”:

  • Ler a Bíblia : Sempre ler e estudar. Ter um horário especial e regular, um cantinho tranquilo, um pequeno caderno pra anotações sobre as lições aprendidas e meditações. Ter contato diário com a Palavra é FUNDAMENTAL. Não é uma coisa boa, é uma coisa necessária!!! O Salmo 119 inteiro fala disso! Ler e estudar a Bíblia diariamente tem que ser prioridade na sua agenda! (Cl 1:9 / Jo 5:39 / Ef 5:15-17 / 2Tm 3:16). Como vou fazer a vontade do Pai sem conhecer a sua Palavra?!
  • Orar: Se Deus é seu pai (Jo 1:12 / Jo 3:3 / Jo 3:36), tem que haver conversa nesse relacionamento. Marque encontros diários com Ele! Desfrute de um relacionamento real com aquele que te salvou! Se você tivesse um horário marcado com uma autoridade política da sua cidade você faltaria? Deus, seu Pai, está acima de qualquer autoridade! Ele te ama e quer te ouvir. Leve suas alegrias, frustrações, pedidos e adoração até Ele! (Fp 4:6 / Cl 4:2)
  • Servir: Existe uma idéia “pós-moderna-gospel” (entenda “satânica”) de que devemos ter um relacionamento com Deus mas não precisamos de uma igreja local! Isso é uma MENTIRA! Deus planejou a igreja, local e universal. Somos aperfeiçoados e amadurecemos nossa fé (também) nos relacionamentos que temos com outros salvos por Cristo. Relacionar-se com o povo de Deus é ter que lidar com diferenças de opinião, personalidade, temperamento. Isso vai trazer alguns conflitos, com certeza. Mas a igreja local é um instrumento de Deus para nosso aperfeiçoamento (Ef 2:19). Ser parte do Corpo de Cristo significa envolver-se com seus dons e talentos também. Ponha as suas capacidades (que foram dadas por Ele) no serviço da sua comunidade cristã local. Você o honrará, será aperfeiçoado e abençoará a outros.

Se essas 3 DISCIPLINAS da FÉ estiverem firmes na sua vida, tudo o mais será bem sucedido! Trabalho, família, finanças, planos, relacionamentos… Tiago 1:25!

Invista nelas diligentemente! Discipline-se!

O que é um fotógrafo-cristão ?

O que é um Fotógrafo-Cristão, afinal?
Qual a diferença entre um fotógrafo e um fotógrafo-cristão?

Essa é a grande pergunta desse blog. Espero voltar muitas vezes nesse tema.

A nossa tendência é procurar a diferença entre a fotografia comum e a fotografia cristã. Mas será que tecnicamente, o ato fotográfico é diferente porque o fotógrafo é cristão ou não? Um cristão, muçulmano ou hindú configura ou opera sua câmera de maneira diferente? Equipa-se de maneira diferente? Usa o Photoshop de maneira diferente?

Procurar a diferença nesse nível é absolutamente inútil. O uso do equipamento certamente não é distinto por conta de convicções religiosas/espirituais distintas. A boa técnica fotográfica é comum a todos os bons fotógrafos.

Pra ajudar nossos leitores com seu equipamento temos muitos artigos de orientação técnica aqui, mas nossa preocupação deve ser aprofundada para começarmos a responder essa questão: Quem é o Fotografo Cristão?

Quero propor uma primeira reflexão: tire a palavra Fotógrafo da pergunta, por enquanto. Então, quem é o Cristão?

O Cristão verdadeiro e maduro na fé, tem convicções profundas e decisivas e baseadas nas Escrituras:

  • O verdadeiro cristão sabe que nasceu pecador e separado de Deus. Em algum momento de sua vida ouviu da Palavra de Deus e se percebeu carente da salvação que só Cristo pode dar.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus.” Rm 3:23

  • Ele aceitou como presente de Deus a salvação em Cristo e foi feito filho adotivo de Deus

“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome.” Jo 1:12

“Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.” I Jo 5:12

  • Ele sabe que após sua morte estará com o Senhor pra sempre porque Ele o salvou e não existe merecimento humano nisso.

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus.” Rm 2:8

  • O cristão genuíno também é absolutamente convicto da eternidade e sabe que as ações de qualquer pessoa tem desdobramentos eternos. Sabe que a vida passa rápido e mantém sua vida no que é eterno.

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” Hb 9:27

“Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens.” I Co 15:19

  • O Cristão sabe que tem a missão de compartilhar a Palavra de Deus com outras pessoas. Ele quer a salvação dos que ainda não conhecem Cristo. Ele quer comunicar Cristo!

“Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo;” Mt 28:19

“E todos os dias, no templo e nas casas, não cessavam de ensinar, e de anunciar a Jesus Cristo.” At 5:42

  • Ele cultiva um relacionamento diário e crescente com Deus em oração e aprofundamento nas Escrituras. Leva a Deus seus medos, preocupações, ansiedades, alegrias, planos…

“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.” Fp 4:6

“Orai sem cessar”. I Ts 5:17

  • Ele também sabe que a igreja é um projeto de Deus fundado por Jesus para aperfeiçoamento dos seus filhos. Por isso o cristão sincero busca estar unido à sua comunidade cristã local e junto com outros irmãos, cresce na sua fé e adora a Deus individualmente e comunitariamente.

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” Hb 10:25

“Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.” I Jo 1:7

“Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também.” Cl 3:13

  • Ele busca viver uma vida de exemplo e respeito a todos porque ele sabe que é um representante de Cristo aqui na terra. Suas atitudes devem refletir Cristo na sua vida. A sociedade ao seu redor percebem seu caráter transformado por Cristo.

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;”
Fp 2:15

“Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;” Cl 1:13

  • Ele vê a soberania de Deus em tudo que acontece em sua vida e no decorrer da história de todas as pessoas, instituições e governos. Sabe que nada escapa aos olhos do Senhor. Sua visão de mundo é ampla e profunda por conta disso.

“Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons.” Pv 15:3

  • Ele busca entender a Palavra, o mundo e seu próprio coração baseado na Palavra de Deus e não em opiniões humanas. Seu relacionamento com o Senhor o leva na direção de pensar como Deus pensa e agir de acordo com a Sua vontade.

Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno.” I Jo 5:19

“Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais.” Ef 6:12

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?” Jr 17:9

“Mas, o que sai da boca, procede do coração, e isso contamina o homem.” Mt 15:18

“Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;” Cl 2:8

“Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” I Co 2:5

“A tua palavra é a verdade desde o princípio, e cada um dos teus juízos dura para sempre.” Sl 119:160

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Jo 14:6

Não quero ser e ninguém devería se conformar em ser um fotógrafo medíocre, nem um médico, professor, policial, engenheiro medíocres. Deve haver alegria, conhecimento, esforço e capricho em tudo que fazemos.

Mas pior que isso é ser um cristão medíocre. Porque o tipo de cristão que somos influencia profundamente no profissional que somos. Agimos por nossas verdadeiras convicções, mesmo quando não nos damos conta disso. Nossos valores guiam nossas atitudes e atos.

Pare e pense: a diferença entre um fotógrafo e um fotógrafo-cristão é o CRISTÃO!

Fotografando pra abençoar!

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Alguns de nós fotografamos dentro de nossas igrejas, comunidades locais ou em eventos que elas produzem. Isso é muito legal! Muito útil! Em minha igreja temos um Ministério de Comunicação (uma espécie de “agência publicitária” dentro da igreja), que por sua vez tem um grupo de fotógrafos (Ministério Click) que é encarregado, entre outras coisas, de produzir registro fotográfico de todos os eventos da igreja.

Mas, em toda igreja, estamos sempre correndo o risco de vermos uma cena inusitada, desastrada, trágica… e estamos com a câmera na mão! Um irmão dormindo no culto, um tombo ou tropeço, uma convulsão ou desmaio, uma peruca ou dentadura que cai… pode parecer engraçado, mas será que é mesmo? Já parou pra se colocar no lugar daquele que passa por uma dessas situações? São coisas bem possíveis de acontecer diante de nós.

Aí vem aquele dilema ou impulso: registrar isso ou não?

Gostaria de propor que você refletisse sobre um certo ponto de vista: Existe um ditado popular, que muito corretamente diz: Uma imagem vale mais que mil palavras!

O que está por de traz desse ditado é a FORÇA, o impacto, a intensidade que uma boa imagem, feita na hora certa, no lugar certo, pode ter no objetivo de transmitir uma mensagem (boa ou ruim). Existem muitas imagens na história da fotografia que falam por si só. Algumas chocam, mobilizam, causam nojo, nervosismo, entusiasmo, choro, raiva, pena… Somos muito visuais, nosso mundo é muito visual. Somos intensamente tocados por imagens intensas.

Mas, em Efésios 4:29 diz: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem.”

Uau! Quantas vezes pecamos sobre esse versículo!

Pense nas imagens que você produz sobre a sua comunidade, e mesmo sobre pessoas e situações fora dela, como PALAVRAS: Não saia da vossa câmera nenhuma imagem TORPE. Apenas produza o que edifica, honra e constrói, assim como tudo que fazemos como cristãos:

“Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus”. I Co 10:31

Portanto quer ensineis, faleis…FOTOGRAFEIS!!!!!

Não seja um “paparazzi cristão”, no pior sentido da palavra. Seja uma pessoa que tem a mente de Cristo, conforme ICo 2:16b : “Mas nós temos a mente de Cristo.”

Pegadinhas, piadinhas, chacotas sobre acidentes e incidentes alheios são coisas que os meios de comunicação de mais baixa qualidade moral são afoitos em produzir e publicar. Mas Deus tem uma outra CULTURA desenhada para que a vivamos. Nossa estética, intenção e feitura das coisas tem que ser diferente. Tem que ser feito à maneira dEle!

Fotografar é uma ato intelectual, cognitivo e volutivo! Você faz escolhas (muitas) ao fotografar. Use a mente de Cristo! Escolha as imagens assim como deve escolher zelosamente as palavras! Às vezes, escolha não fotografar!!! Não registre, muito menos divulgue (email, Facebook, Instagram…) cenas que envergonham, constrangem, denigrem a imagem ou reputação de ninguém.

Que Ele mesmo nos oriente, capacite e abençoe para sermos instrumentos de benção e nunca instrumentos de maldição.

O caminho da Imagem

É comum, quando começamos a fotografar, não termos uma visão de como a imagem é construída, ou como deveria ser. Não digo a imagem do ponto de vista dos “pixels”, e sim do fluxo de trabalho do fotógrafo ativamente fazendo o resultado acontecer.

Vamos partir da idéia que a fotografia final (aquela que vemos no papel ou em uma meio digital de exibição) deve passar pelo seguinte fluxo, de maneira a clarear o processo. Vejamos em 5 grandes blocos:

1) O Fato ou Demanda:

A situação, pessoa, objeto ou cena existente na realidade ou a ser construída. Podemos receber uma demanda qualquer e temos que ir até onde a imagem está na realidade ou criar a imagem (maquetes, still, estúdio…). Muitas vezes essa demanda vem de um editor, diretor de arte, cliente ou do próprio fotógrafo. Essa etapa, sendo bem planejada e bem descrita pode economizar muito tempo nas etapas futuras.

2) O Encontro:

Estamos diante do fato e o percebemos como “alvo fotográfico”. Algumas vezes o fato se apresenta sem esperarmos por ele. Temos aí um encontro não-planejado e é necessário agir. Para ver e agir precisamos de sensibilidade treinada e técnica. Mas em muitos casos vamos objetivamente ao encontro do tema. Sabendo o que deve ser feito nesse estágio podemos ser objetivos e adequadamente rápidos. Em muitas situações, o Encontro, demanda qualidades “extra-fotográficas” no campo dos relacionamentos inter-pessoais que podem viabilizar, potencializar ou acabar com uma fotografia.

3) A Abordagem técnica:

O fotógrafo faz uma série enorme de escolhas em um espaço de tempo muito pequeno visando a consumação da captura, então Click! Pego a câmera, ligo-a, ajusto o modo, o ISO, a Abertura, a Velocidade, o balanço de branco, procuro um ponto de vista adequado, enquadro, foco, aproximo, afasto… click! Ufa! Esqueci da luz, vamos de novo!!!! rsrs. Na maioria das vezes isso é o primeiro tiro de muitos. Para sermos eficientes podemos lançar mão de muitos recursos técnicos que deixarão essa sequencia mais ágil.

4) A pós-produção:

Toda a etapa de tratamento, organização e armazenagem da imagem após a sua captura. O uso de software adequado, o nível e técnicas apropriadas para cada caso (sem falta nem exageros ou modismos), a conversão para formato de uso, o objetivo de uso (impressão, web, apresentação…), cópias de segurança… são itens essenciais nessa etapa.

5) A Publicação:

Impressão em papel ou exposição em meio eletrônico da imagem acabada. Muitas vezes é uma etapa múltipla, visto que os meios de propagação da imagem podem e geralmente são muitos hoje em dia. Em muitos casos, nem é o próprio fotógrafo que está encarregado dessa etapa.

Então…

Pensar nesses blocos, ajuda-nos, entre outras coisas,  a não deixar para depois uma decisão que deve ser tomada agora. Um dos maiores problemas da fotografia dos nossos tempos é tentarmos deixar para “resolver esse probleminha no Photoshop”! Não faça isso! Você estará usando o “Photoshop” da pior maneira e estará deixando de usar recursos que devem estar presentes no momento do click. São dois erros graves de uma só vez.

Quando tudo vem sendo feito corretamente desde o início do processo, o resultado final tenderá a ser o melhor possível. Quanto mais adequada a foto sair da sua câmera, melhor ela será no seu estágio final. Acostume-se com essa idéia. Empenhe-se em fotografar tão bem como se você não pudesse executar nenhum ajuste em pós-produção.

Não estou, de maneira alguma dispensando pós-produção. A pós-produção sempre existiu na fotografia e faz parte legitimamente desse processo. Mas a nossa mentalidade em relação ao esmero fotográfico deveria ser sempre de fazer o melhor disponível em cada etapa.

E o cristão com isso ?

Dentro de cada etapa dessas, podemos ter uma postura bíblica ou não ao agirmos. Como tudo em nossa vida, aliás.

ICo 10:31
“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer (fotografar, inclusive), fazei tudo para a glória de Deus”

Precisamos tomar muitas decisões ao fotografar. São muitas possibilidades! Elas tem que ser reconhecidas e selecionadas em dias, minutos, segundos ou as vezes em menos de um segundo! Essas decisões influenciarão diretamente na mensagem que a fotografia comunicará! Elas podem inclusive construir ou demolir relacionamentos, podem ofender, podem valorizar, podem despertar, chocar, amadurecer, instigar… Podem se desdobrar em subprodutos bons ou ruins!!! Ai, ai, ai!

Se duas pessoas forem chamadas a fotografar o mesmo evento, com equipamentos iguais, conhecimentos técnicos iguais, local e horário iguais… Teremos fotos diferentes e com significados diferentes! Porque? Porque somos diferentes e isso é ótimo! O Senhor gosta muito de diferenças! O Senhor é criativo e usa ferramentas diversas para sua obra. Basta uma pequena observada na natureza a nossa volta pra vermos isso.

Fotografar é tomar decisões! Certas ou erradas, eficientes ou inócuas, úteis ou fúteis!
Nos próximos posts veremos cada uma dessas 5 etapas de maneira detalhada e com reflexões sobre os princípios bíblicos que se aplicam.

Minhas fotografias não estão funcionando

Fotografia e literatura tem muito em comum. Especialmente poesia.

Poetas são escritores que dizem mais com menos. Eles uma capacidade de síntese enorme sem descartar nada que é importante. Mostram apenas o suficiente para comunicar. E comunicam apenas o que é necessário para que o leitor entenda. Não ficam explicando demais (nem de menos!)

Essa é uma capacidade importante para nós fotógrafos, desenvolvermos. Nossa “mídia” é um quadro só, na maioria das vezes. Temos que ser sintéticos e aprendermos a colocar no “retângulo” somente o que comunica. Temos que aprender a tirar do quadro tudo que distrai, que não informa, que não acrescenta significado. Isso reforça o assunto e cria objetividade na imagem.

Podemos contar histórias com sequências de fotografias. Nesse caso, estaremos nos aproximando mais do cinema do que da poesia. Mas quando a proposta for uma foto e só, temos que ser poetas visuais. Claros, objetivos e sintéticos. Isso é difícil! Ai!

Mas nem tudo aqui é só “essa” dificuldade. Existem mais duas! Ai, Ai.

De maneira geral, as pessoas tem a tendência de ver uma fotografia e quererem traduzi-la em uma frase ou mensagem. Não existe necessariamente a correspondência direta de uma cena para um texto. Artes visuais, como pintura, escultura, arquitetura, fotografia (quando em forma de arte)… tem que comunicar, mas não necessariamente serem traduzidas em um texto. Se fosse pra contarmos algo como um texto conta, porque eu usaria a fotografia?! Usaria um texto!

Guardadas as devidas peculiaridades, é a mesma dificuldade que muita gente tem com arte abstrata. A comunicação deve recebida e não explicada. Até mesmo com arte realista e figurada. Posso e devo sentir, perceber, intuir… A obra visual deve me sugerir, apontar, influenciar, persuadir, dar dicas… E isso vai acontecer de maneiras variantes de espectador para espectador, mas a mensagem central será mantida.

Muitas vezes a comunicação usa a sensação, a estranheza, o choque, o impacto… para fazer o observador sentir e levá-lo para onde o artista intenciona. Isso é mais belo e eficiente do que colocar um texto pra “dar uma força pra fotografia”.

Eu costumo dizer que arte visual não tem que dar entrevista! Tem que ser vista! Se você está tendo que dar muita explicação sobre o significado de uma fotografia pra o seu observador, ela não está comunicando! Escreva um texto sobre o assunto e isso vai ser mais eficiente. Brincadeira, não escreva, não. Apague a foto e tente fazê-la melhor! rsrs

A terceira dificuldade: O fotógrafo acha que a fotografia está dizendo o que ele quer que ela diga, mas o observador não acha . Isso significa, muito provavelmente, que o observador está certo. É muito comum.

Quando olhamos uma fotografia que fizemos, não temos apenas aquela imagem na nossa frente, temos todo o contexto (visual, factual e emocional). Estivemos lá, sentimos o ambiente, fomos atraídos para fazer aquele Click! Mas o observador não. Ele tem que tirar tudo isso do que está vendo. A imagem tem que trazer isso até ele. Será que está trazendo? A fotografia sempre tem mais conteúdo, para o fotógrafo do que para o observador.

Por isso é importantíssimo termos um certo distanciamento emocional sobre a imagem. Temos que ser críticos de nossa própria obra. Isso é fundamental. Não tenha pena de uma fotografia que não funcionou! Aperte DELETE, sem dó! Seja seu mais cruel editor. Se alguém te disser que não funcionou, por mais bela que você a considere, pense sobre isso com sensatez e espírito crítico. Não fique na defensiva. Isso vai amadurecer seu olhar e consequentemente, sua capacidade de comunicação.

Quando eu era criança, tive um professor de xadrez, que sempre dizia pra quem perdia a partida: “Quem perdeu, aprendeu mais”. Ele me disse isso muita vezes! rsrs. Sensacional e realista, nunca vou me esquecer. Se a fotografia não deu certo, não desanime, pense no que deu errado! É uma chance de ouro que sua própria imperfeição como fotógrafo está te dando.

Depois de registrarmos a cena temos que pensar:

1-Eu sei o que quero comunicar?

2-O observador terá os elementos necessários para sentir ou perceber o que eu quero que ele sinta ou perceba?

3-Existem elementos nessa imagem que distraem ou deixam o assunto ambíguo?

4-Essa fotografia informa um assunto com precisão e objetividade?

Repare que nessas questões temos poucas implicações técnicas em si. Podemos fazer essas perguntas a nós mesmos sobre fotografias produzidas com um celular ou com uma grande câmera. É muito mais uma questão de postura analítica diante da imagem do que de recursos técnicos. É óbvio que técnicas e recursos do equipamento utilizado podem (e certamente irão) influir no alcance dos objetivos, facilitando ou dificultando. Mas o olhar se desenvolve aí: olhando atentamente!

Enfim, se você quer ser um “poeta visual” tem que ser emocional (perceber com sensibilidade a mensagem) e racional (utilizar as formas corretas de comunicação) de forma equilibrada, assim será EFICIENTE!

Fui revelado!

Quando falamos em fotografia, sempre estamos entrando numa área banhada, recheada e coberta por vários sentimentos misturados. Alguns nobres, outros nem tanto. Cada registro é composto por muitas formas, cores e motivações.

Amantes da fotografia são fascinados por aquele “poder” incrível de congelar o tempo. Isso é inerente à essa forma de comunicação. Sabemos que a vida passa rapidamente e fotografar nos dá uma possibilidade (mesmo que restrita) de guardar fragmentos de passado. Melancólicos como eu, acham isso o máximo!

Outro aspecto fascinante é a comunicação não-verbal, visual e imediata. Uma boa fotografia fala por si. Você “bate o olho” e a mensagem é transmitida. Eu, pessoalmente, creio que a foto que precisa de muita explicação, legenda, texto embaixo, do lado, em cima, autor blá, blá… não funcionou. Deleta e faz outra! rsrs.

Além disso todo mundo sabe (com maior ou menor grau de consciência) que falamos de NÓS ao mostrar fotos que fizemos. Naquele momento em que algo te chama a atenção e você se concentra em pegar sua câmera, fazer algum ajuste, apontar e CLICK… algo importante PRA VOCÊ foi registrado. Aquela imagem tem você nela! Tem algo nela que te “sequestrou” por um instante. Isso pode ser muito revelador!

Nos nossos dias podemos mostrar rapidamente e pra muita gente as nossas capturas! Em tempos de Instagram, Facebook, Picasa, Flickr, 500px… Gostamos de dizer quem somos, o que sentimos, como vemos o mundo, do que gostamos… e tá “facinho”, “facinho”! Pelo menos muitos de nós gostam, vide o sucesso das redes sociais. Somos exibidos!

Essa nossa paixão chamada fotografia, nos permite muita coisa. Eu destaco como a principal, o poder impactante, rápido, preciso e belo de comunicar. E não restrinjo essa comunicação à uma categoria limitada que “tem” que ser traduzida em palavras. Impressões e sentimentos podem e devem ser abstraídos da imagem, e inevitavelmente o são. Algumas fotografias são muito difíceis de serem explicadas, mas elas nos falam, nos tocam, nos remetem à um tempo, clima, local determinado.

Um dos filmes que mais gosto é Ratatouille, dos estúdios Pixar. Além de ter uma fotografia e iluminação sensacionais, a história é ótima e nos ensina muito sobre arte. Existe uma cena delicadíssima, sem palavras, onde o personagem Anton Ego prova a “comida de camponês” que ele se dispõe a avaliar com toda a sua experiência e dureza. Ele segura a sua cruel caneta de crítico gastronômico, pronta para “atirar”, e ao experimentar o prato, é arremessado para o seu próprio passado sentimental. Aquele simples, mas caprichado prato, teve a capacidade de desarmá-lo. No momento em que prova do prato a sua caneta escorrega por entre seus dedos e ele é levado para onde nem o chef imaginava: sua infância simples. Mas o objetivo da obra foi alcançado, o coração e a mente do “receptor” foram tomados! Que poder!!! Que responsabilidade!!!

Em nosso coração pecador e enganoso (pergunta pro Jeremias! Jr 17:9) estão todos esses “seres”: poder, exibicionismo, popularidade, vaidade, soberba… Alimentados e bem nutridos por muitos CURTIR! Querem ser adorados, bajulados e COMPARTILHADOS.

Por outro lado, quando submetido e sujeitado ao Senhor, esse poder de comunicação é uma arma poderosa. Quando ouvimos uma música bem composta, quando apreciamos um poema ou livro, quando ouvimos um grande pregador, inspirado, preparado, verdadeiramente sujeito às ESCRITURAS… somos tocados, incomodados, moldados. Somos levados para onde o Senhor quer nos levar.

Talvez o personagem bíblico que melhor nos ensine sobre a verdadeira postura do adorador e servo seja João Batista. Você deveria parar de ler esse post e pegar sua bíblia agora. Veja o que está escrito em João 3:27-30.

Ele não buscava a sua popularidade. Ele sabia quem era e para que veio ao mundo. João se “enxergava”! Ele poderia ter usurpado da sua situação e conseguido muitos SEGUIDORES no seu twitter!!! Mas ele quis cumprir somente a vontade do Pai e apontar para o Cristo! Gastou sua vida nisso.

Creio sinceramente que a fotografia, feita por um cristão, pode e dever ser um instrumento de propagação do evangelho de Cristo. Mas creio também que ela pode, e eventualmente revelará o nosso coração rebelde e vaidoso.

Que o Senhor nos ajude a sujeitar o que temos e também o que somos à Ele mesmo. Que nossas fotos revelem Seu poder, Seu amor, Sua misericórdia e glória e não a nós!

Começamos!

Olá

Esse blog foi criado com a intenção de ser um local de discussão e informação sobre o mundo da fotografia em geral (notícias, técnicas, temas, novidades, equipamentos…) e especialmente sobre o uso da fotografia com finalidade cristã. Isso significa que nosso objetivo é encontrar caminhos e aplicações para a fotografia na tarefa de proclamar o Evangelho de Cristo.

Como expressar os valores do Reino de Deus através dessa ferramenta visual tão forte?!

Muitas são as áreas de atuação de um fotógrafo. Jornalismo, arte, still, moda, design, publicidade, documentários… Mas existe uma fotografia CRISTÃ?!

Cremos que sim!

Se você é um cristão autêntico, temente à Deus e tem uma relação especial com a fotografia esse é um espaço para trocarmos experiências e procurarmos, juntos, capacitação técnica e espiritual para honrá-lo com o que Ele mesmo tem nos dado graciosamente.

Se você tem uma experiência pra contar, uma notícia, um tema relacionado ao nosso propósito… comente, compartilhe, alimente o nosso blog.

Esperamos sinceramente contribuir para o crescimento pessoal e ministerial de todos.

Que Ele nos abençoe e direcione, sempre, para Sua própria glória!